Atualidades Diplomáticas

Política Internacional e Diplomacia
Globalização e Desenvolvimento
Economia e Comércio Internacional
Relações França-Brasil
América Latina
França
Europa

África

Direitos Humanos

 


ATUALIDADES DIPLOMÁTICAS
Embaixada da França no Brasil
SES - Av. das Nações - Lote 04 - Quadra 801 CEP: 70404-900
Brasília - DF - Tel.: (61) 3312-9100 Fax : (61) 3312-9108

 Página Inicial
Política Internacional e Diplomacia

ENTREVISTA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA, NICOLAS SARKOZY,
PARA O JORNAL POLONÊS “GAZETA WYBORCZA”
POR OCASIÃO DE SUA VISITA À POLÔNIA

- TRECHOS -

Paris, 14 de junho de 2007

(...)

Pergunta: Senhor Presidente, falando concretamente, qual é o objetivo de sua visita à Polônia?

Resposta: O objetivo é tentar convencer os dirigentes poloneses de que a Polônia tornou-se tão importante na Europa que precisamos dela para obter um compromisso sobre o tratado simplificado. Além disso, vou lhe dizer uma coisa: conheço a alma polonesa, ela é orgulhosa e ir visitá-la é ter consideração pela nação polonesa. Não sou do tipo que diz pertencer a um velho país fundador da Europa e vocês são os que acabaram de chegar. Não é esta a minha concepção. Vocês ocupam o lugar que lhes cabe de direito na Europa. Vocês têm direitos e responsabilidades. Isto não se diz por telefone, é preciso haver um encontro e é por esta razão que estou visitando o país.

(...)

P.: Quais são as prioridades de sua ação no campo da política externa e da segurança comum?

R.: A PESC [Política Externa de Segurança Comum] é uma política ainda jovem e frágil, mas absolutamente necessária. No mundo incerto no qual vivemos, a União Européia deve falar a uma só voz para estar em condições de ter realmente um peso real e para promover de modo eficaz nossos interesses e nossos valores.

P.: Quais são as suas prioridades no que diz respeito às relações franco-russas? Qual é o papel da UE nessas relações?

R.: A solidariedade entre os países-membros da União Européia é um princípio fundamental. Por essa razão, a França é plenamente solidária à Polônia. Essa solidariedade é expressa de uma maneira que pode ser muito concreta, como ocorre na questão do embargo russo sobre as exportações de carne polonesa.

Estou convencido de que a Rússia é, para a União, um parceiro obrigatório: precisamos basear nossas relações em resultados concretos, em particular nas áreas prioritárias como a energia, o espaço, a aeronáutica, o fortalecimento do estado de direito, bem como o intercâmbio entre empresas civis.

A construção de espaços de cooperação entre a União Européia e a Rússia é uma garantia de paz e prosperidade para o continente europeu como um todo. Isto é do interesse da Polônia e, além dela, de todos os países.

P.: O Senhor insistiu na importância das relações da França com os Estados Unidos. Podemos esperar uma mudança nas relações franco-americanas? Que lugar devemos atribuir à relação entre a União e os Estados Unidos?

R.: Quero trazer um novo espírito para as relações entre a União Européia e os Estados Unidos, bem como para as nossas relações bilaterais.

Durante a campanha, tive várias vezes a oportunidade de lembrar meu profundo apreço pela amizade que une a França e os Estados Unidos. Nós, europeus, compartilhamos com os americanos muito mais do que interesses, mas valores comuns.

Nem por isso, aliados quer dizer “alinhados”; e devemos aceitar o fato de termos eventualmente algumas discordâncias.

P.: Uma pergunta a respeito da nova situação na França após a vitória da direita: os extremos foram marginalizados, os comunistas, os esquerdistas, a Frente Nacional. Qual é a sua visão da nova política francesa sem extremos?

R.: Os extremos são um problema para a democracia. Milhões de pessoas acham que os partidos não-republicanos expressam melhor as suas aspirações. Isso revela uma desconfiança com relação aos políticos. Isso refreia a modernização de um país, visto que todos os problemas são vividos de modo emocional e nunca de maneira razoável. Eu estava convencido de que podíamos baixar o escore da Frente Nacional para que os partidos que respeitam os valores republicanos ocupassem um espaço público tão grande quanto possível. Conseguimos.

P.: O que significa para o Senhor, hoje, a identidade francesa?

R.: A França não é simplesmente uma democracia. A França é a República, é a separação entre a Igreja e o Estado, é a igualdade entre homens e mulheres, são os valores republicanos, é a nossa identidade francesa. E eu disse aos franceses: não nos demos suficientemente o trabalho de explicar o que é a França e é por isso que não devemos nos espantar com o fato de tantos de nossos concidadãos não estarem integrados. Como podem eles fazer isso se nunca lhes explicamos para que país vieram?

P.: O futuro da UE pode ser republicano no sentido que a França compreende isso?

R.: Eu seria arrogante se quisesse que toda a Europa fosse republicana ao modo francês. Pelo menos, existe uma questão que está sendo colocada e essa questão é a de saber se a Europa possui fronteiras, ou se isto é apenas uma idéia abstrata. Eu acho que a Europa possui suas fronteiras, o que significa que ela também possui a sua identidade. Se todo mundo tiver o direito de ingressar na Europa, não haverá mais Europa. Não conseguiremos grande coisa colocando pessoas demais em torno da mesa. Discute-se se a Turquia deve ou não aderir à Europa. Essa questão está mal colocada. A questão é saber em que nível de ampliação a Europa deixará de ser a Europa.

P.: O Senhor propôs uma nova fórmula de identidade nacional e de tradição francesas. O Senhor já citou Jean Jaurès, Léon Blum e o partido comunista – “partido dos fuzilados” durante a guerra. Na política francesa, este é um novo tom. Como se diz na França, “é o tom que faz a canção”. Que canção, Senhor Presidente?

R.: Para ser eleito na França, é preciso conhecer sua história e sua literatura, é preciso citar os grandes autores e poetas. Trata-se de uma especificidade francesa, que obriga as pessoas a se referirem a Victor Hugo, a Verlaine e a Jaurès. Entretanto, não existem duas histórias da França, a da esquerda e a da direita. Existe apenas uma História da França. E nós somos todos seus herdeiros.

P.: A composição de seu governo refere-se a uma novo tipo de unidade. Nele, encontramos Bernard Kouchner, ministro das Relações Exteriores e a Srª Rachida Dati, ministra da Justiça. Seria o fim da tradicional divisão esquerda-direita?

R.: Eu, pessoalmente, sou um homem de direita. Os franceses votaram por um projeto claro, portanto existe uma estratégia. Mas, para colocá-la em prática, preciso dos melhores. Ora, os melhores não estão apenas na direita.

P.: Esta tática não foi utilizada apenas para o período eleitoral?

R.: Não, eu sou a favor das mudanças e estou muito satisfeito com o Sr. Kouchner.

P.: Qual é o sentido e o alcance da política de abertura que o Senhor iniciou logo após a sua eleição para a Presidência da República?

R.: Eu quis essa abertura porque o dever de um presidente é o de reunir uma maioria e o dever de uma maioria é se abrir. O Presidente da República não pode ser o homem de um partido ou de um clã. Ele é o homem da Nação.

Meu projeto para França é ambicioso. Quero reformar profundamente nosso país para modernizá-lo. Como as mudanças serão fortes, preciso de uma maioria ampla.

(...)

 
 

Embaixada da França no Brasil
SES - Av. das Nações - Lote 04 - Quadra 801
CEP: 70404-900 - Brasília - DF
Tel.: (61) 3312-9100 Fax : (61) 3312-9108