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Política Internacional
e Diplomacia |
REUNIÃO
DE CÚPULA DO G-8
ENTREVISTA
COLETIVA DE IMPRENSA
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA,
NICOLAS SARKOZY
Heiligendamm, 8 de junho
de 2007
Nicolas
Sarkozy: Estou à sua disposição
para responder às suas perguntas.
Pergunta:
O Senhor falou muito do Kosovo, Senhor
Presidente, falou do status do Kosovo
e, portanto, eu gostaria de saber como
as coisas avançaram.
Resposta:
A respeito do Kosovo, as coisas não
avançaram. Por uma simples razão:
só podemos dar um prazo para
que Belgrado e Prístina continuem
dialogando na medida em que todos os
atores e, particularmente, nossos amigos
russos, consideram a independência
do Kosovo como uma perspectiva inevitável.
Esta é a condição
para um acordo. Portanto, temos uma
forte razão para acreditar que
iremos continuar falando do Kosovo.
P.:
Senhor Sarkozy, qual é o balanço
que o Senhor faz, pessoalmente, desse
seu primeiro G-8?
R.:
Para mim pessoalmente isso não
tem grande importância. O importante
são as questões que foram
tratadas. Acho que o balanço
é positivo e mesmo muito positivo.
Houve avanços notáveis
com relação ao clima e,
ainda esta manhã, o Presidente
Bush confirmou que se comprometia com
a perspectiva de redução
de 50%. Ele o fez para convencer a Índia
e a China a se engajarem igualmente
na redução da produção
de gás de efeito estufa.
A
respeito da África, tivemos esta
manhã uma discussão extremamente
interessante mostrando bem que precisamos
ter confiança no futuro desse
continente, que a África pode
ser bem-sucedida e que alguns países
africanos – penso na África
do Sul, no Gana e em outros –
podem sair-se bem e que essa parceria
é necessária para que
sejam criadas riquezas. Fiquei muito
interessado, aliás, pelo que
disse o Presidente Wade, afirmando que
a África não precisava
de caridade, mas de uma ajuda para o
desenvolvimento. Isto é exatamente
o que eu penso.
As
discussões foram muito ricas,
muito interessantes. Na hora do almoço,
por exemplo, a respeito da OMC, eu disse
ao Presidente Bush que me empenharia
em defender nossos interesses, assim
como ele luta para defender os interesses
dos americanos, que a reciprocidade
era de praxe e que a ingenuidade devia
ser deixada no vestiário se quiséssemos
um acordo.
Por
outro lado, isso permitiu múltiplos
contatos multilaterais em 48 horas,
o que nos faz ganhar um tempo enorme.
Ao mesmo tempo, no que se refere às
questões da Europa, a reunião
nos permitiu igualmente fazer progressos
em uma agenda que está se aproximando,
já que as datas de 21 e 22 de
junho estão extremamente próximas
e que precisamos chegar um acordo.
P.:
Senhor Presidente, o Senhor nos disse
esta manhã, à saída
de seu encontro com o Presidente Bush,
que tinha a mesma abordagem que os americanos
a respeito do Líbano e que falou
com ele sobre isso, além do Irã.
O porta-voz americano disse que os Senhores
conversaram a respeito do Líbano,
da Síria e do Irã. Como
o Senhor nos acostumou com muita transparência
em sua comunicação, talvez
possa nos dizer qual é a sua
abordagem no que se refere ao Líbano,
à Síria e ao Irã.
R.:
A respeito do Líbano, trata-se
do direito à independência
desse país, excluindo-se qualquer
forma de ingerência e, naturalmente,
de ocupação. Trata-se
do apoio a um governo legítimo
e, portanto, ao exército, que
tenta restabelecer a ordem contra todas
as milícias, e da necessidade
de se chegar a um acordo político
com todas as partes, que só Deus
sabe como são numerosas. São
estas as iniciativas que, juntamente
com Bernard Kouchner, estamos tomando.
Sob
esse ponto de vista, não observei
que houvesse no passado uma divergência
de pontos de vista entre os americanos
e nós. A respeito da Síria,
pode haver algumas diferenças
de apreciação, devidas
sem dúvida ao fato de que, depois
de 6 anos e meio, o Presidente Bush
não me pareceu extremamente satisfeito
com a evolução de suas
relações com o presidente
sírio. Deve-se ou não,
e em que nível, reiniciar as
conversações com a Síria?
É a pergunta que se faz. E essa
pergunta é feita hoje não
em nível político, mas
talvez em um nível diplomático.
No
que se refere ao Irã, parece-me
que há uma grande coincidência
de pontos de vista com a China, a Rússia
e os Estados Unidos da América
no sentido de levar os dirigentes iranianos
à mesa de negociações.
No que me diz respeito, acho que será
necessário enviar uma mensagem
de firmeza e certamente de endurecimento
das sanções. Acho que
a política de sanções
deve permitir que sejam criadas as condições
para um debate no seio da sociedade
iraniana, que é oriunda de uma
grande civilização. Pediremos,
é claro, que não sejam
confundidos os iranianos, um grande
povo, com os dirigentes de hoje, entre
os quais o presidente, que faz pronunciamentos
inteiramente inqualificáveis.
Ou, mais exatamente, que podem perfeitamente
ser qualificados.
P.:
Senhor Presidente, se o Senhor me permite,
gostaria de voltar ao assunto do clima,
do meio ambiente e do desenvolvimento
sustentável. Na última
reunião do Conselho Europeu,
foram estabelecidos objetivos para 2015.
Hoje, são estabelecidos objetivos
para 2050. Acontece que em 2012, um
ano importante para o Senhor, chega
ao fim o processo de Kyoto. Na sua opinião,
não se estaria enterrando Kyoto
ou passando por cima de Kyoto? É
esse o preço dos americanos para
aderir e a esse preço espera-se
fazer com que os países emergentes,
como a Índia ou a China, a quem
foram concedidas vantagens durante a
elaboração do processo
de Kyoto, adiram? Qual é a sua
opinião a esse respeito?
R.:
Minha opinião é a de que
é preciso dar provas de boa-fé
e determinação. Os Srs.
podem compreender, evidentemente, que
um país como a China considere
que cada chinês emite um terço
do gás de efeito estufa que emite
um americano. Mas, se os chineses e
os indianos tivessem que emitir o mesmo
nível de gás de efeito
estufa que os americanos hoje, tendo
em vista seu número, pode-se
ver a catástrofe à qual
estaríamos nos encaminhando.
Em
segundo lugar, Kyoto foi um primeiro
passo, insuficiente, não ratificado
por todo mundo e não aplicado
por todo mundo. Refiro-me particularmente
aos nossos amigos canadenses. Seja qual
tenha sido a sua boa-vontade nos últimos
anos, não foi muito o que se
fez. Mas houve um progresso na conscientização
planetária. Observo sobretudo
que esta reunião do G-8 possibilitou
o fortalecimento do quadro de negociações
das Nações Unidas com
vistas a se chegar a um acordo até
2009, para ser gerido após 2012.
Portanto,
esta reunião do G-8 reforçou
a autoridade das Nações
Unidas e permite que se anteveja uma
continuação, ou seja,
um pós-Kyoto a partir de 2009,
já que, finalmente, vi isso como
uma validação da Conferência
de Bali, como uma etapa de um caminho
que deve nos possibilitar encontrar
novos objetivos. Pode-se sempre dizer
que poderíamos ter ido mais além,
é verdade. Mas dizer que poderíamos
ter ido mais além é aceitar
a idéia de que fomos mais longe
do que se imaginava no início.
Dentro desse ponto de vista, estou satisfeito
com os progressos realizados e que são
incontestáveis.
P.:
Uma pergunta a respeito da América
Latina, sobre as FARCs. Na sua opinião,
qual é o papel do Brasil nessa
questão? O que ficou convencionado
entre o Senhor e o Presidente Lula a
esse respeito? Parece que havia uma
mensagem do Presidente Uribe lida ao
Senhor pelo Presidente Lula. O Senhor
poderia comentar? Obrigado.
R.:
Sim, é claro. Eu havia ligado
para o Presidente Lula para lhe falar
das minhas conversações
com Uribe. Agradeço ao Presidente
Lula por ter chamado a atenção
do Presidente Uribe para a importância
da questão da libertação
de Ingrid Betancourt. Naturalmente,
sei que as FARCs mantêm outros
reféns e vejo perfeitamente que
o problema humanitário não
se resume a única pessoa. Mas
quem pode me reprovar o fato de cuidar
de nossa compatriota? A influência
do Presidente Lula foi muito benéfica
e o G-8 prestou homenagem à ação
do Presidente Uribe. Entretanto, as
conversações continuam.
Elas são complexas e serão
difíceis. Espero que sejam razoavelmente
longas.
P.:
Senhor Presidente, esta manhã,
segundo um porta-voz americano, o Senhor
disse ao Presidente Bush que a França
está pronta a enviar mais soldados
ao Afeganistão. Isto é
exato? Em segundo lugar, os soldados
franceses enviados ao Afeganistão
iriam para o sul do país?
R.:
É preciso esclarecer as coisas.
Em primeiro lugar, eu disse aos nossos
amigos canadenses, aos nossos amigos
americanos, aos nossos aliados que não
romperemos a solidariedade dos aliados
no combate empreendido contra o terrorismo
no Afeganistão e para estabilizar
o Estado afegão. Esta é
a primeira coisa.
Em
segundo lugar, eu lhes disse que reforçaremos
nossos meios para formar o exército
afegão sob a forma de equipes
de 50 pessoas responsáveis pela
admissão nos quadros do exército.
Em
terceiro lugar, eu lhes falei da possibilidade
de se promover a reconstrução
desse país, particularmente através
de hospitais e escolas. Desejo que o
esforço da França seja
mais um esforço de formação
para preparar o Estado afegão
para a transição e sob
a forma de reconstrução.
Devo
acrescentar que pedi para que todos
os interlocutores do Paquistão
sensibilizem esse país para a
necessidade de se ajudar as forças
que se encontram lá a erradicar
o terrorismo e a cultura da droga.
P.:
Senhor Presidente, o Senhor poderia
falar um pouco de seu encontro com o
Presidente chinês, Hu Jintao?
R.:
Sim, perfeitamente. O Presidente chinês
convidou-me a visitar a China como chefe
de Estado na segunda metade do ano de
2007. Eu aceitei e estamos preparando
essa visita com um certo número
de projetos econômicos. Aliás,
acho que posso dizer que o Presidente
chinês estava feliz com a posição
que assumi ao dizer que me parecia razoável
não cogitar o boicote aos Jogos
Olímpicos de Pequim.
P.:
Senhor Sarkozy, foram citados numerosos
casos de violência no Darfur.
Na sua opinião, em quê
a reunião de Paris no final do
mês poderá ter sucesso
com relação ao que as
outras não conseguiram?
R.:
Em primeiro lugar, a respeito do Darfur,
pedi ao Presidente chinês que
utilizasse toda a sua influência
para fazer pressão sobre o Presidente
Bechir, a fim de que o Sudão
aceite o envio de uma força híbrida
ao seu território.
Em
segundo lugar, pedi ao Presidente chinês
a presença do Ministro das Relações
Exteriores da China na reunião
do grupo de contato ampliado.
Em
terceiro lugar, essa reunião,
que será presidida por Bernard
Kouchner, não está destinada
a substituir a ação da
União Africana. Eu disse ao Presidente
da Comissão da União Africana
que não se trata absolutamente
de lhe complicar a tarefa mas, ao contrário,
ajudar por todos os meios a que se encontre
uma solução política.
P.:
Senhor Sarkozy, se os interesses da
França estiverem ameaçados,
até que ponto o Senhor irá
no que se refere aos ataques preventivos
nucleares?
R.:
A utilidade da arma nuclear é
a dissuasão. Até onde
sei atualmente não existe qualquer
emergência. A estratégia
nuclear e a doutrina nuclear francesa
são as do interesse vital. Se
os interesses vitais da França
estiverem ameaçados, nesse momento,
então, como todos os outros presidentes
da República que me antecederam,
eu poderia cogitar o uso da arma nuclear.
Felizmente, não é esse
o caso.
Mas,
quanto à definição
precisa do que são nossos interesses
vitais, não estou certo de que
este seja o contexto mais apropriado
para os definir com exatidão,
embora eu reconheça que a noção
de interesse vital evoluiu desde a época
do general de Gaulle.
P.:
Senhor Presidente, a respeito das questões
envolvendo a Aids, o Senhor lembrou
recentemente sua determinação
em cumprir com os compromissos do G-8
de 2005, em Gleneagles. Eles prevêem
o acesso universal ao tratamento até
2010. O Senhor chegou mesmo a dar um
passo adiante ao dizer que proporia
um plano de financiamento para dividir
o valor total a ser fornecido entre
os diferentes países do G-8.
Isto não consta do comunicado
final. O Senhor poderia nos falar um
pouco mais a esse respeito? O que aconteceu?
R.:
O G-8 comprometeu-se a financiar a saúde
na África com 60 bilhões
de dólares ao longo dos próximos
anos. A verdade é que o valor
total foi definido, mas não o
número de anos. São valores
consideráveis. Os Estados Unidos
comprometeram-se a financiar a metade
dessa soma. A França, por sua
vez, irá aplicar um bilhão
de dólares por ano à saúde
na África.
Devo
acrescentar que propus, quando nos reunimos
com os cinco países da NEPAD,
ou seja, os países africanos
que deram início à definição
de uma nova parceria, que se fizesse,
antes de cada reunião do G-8,
por peritos interpostos, um balanço
das promessas feitas e das realizadas,
para que se possa sair desse debate
no qual são lançados números
a torto e a direito.
No
que se refere à França,
eu gostaria de dizer que somos o 2º
maior contribuinte do Fundo Mundial
de Luta contra a Aids, a Tuberculose
e a Malária. Os primeiros são
os Estados Unidos, o segundo é
a França. Acredito realmente
que se há um país ao qual
nada pode ser reprovado a esse respeito,
é o nosso.
P.:
Senhor Presidente, se me permite, gostaria
de voltar a falar do Líbano e
da Síria. Pode-se compreender
que os contatos franceses com a Síria
são possíveis, se o objetivo
é ajudar a estabilizar a situação
no Líbano?
R.:
Digamos que não são impossíveis,
se o objetivo é garantir a independência
do Líbano, encontrar os assassinos
de Hariri e oferecer a paz a esse país
mártir.
P.:
O Senhor poderia nos falar mais a respeito
do que conseguiram obter com relação
ao tratado simplificado?
R.:
Não, mas posso lhes dizer, quanto
ao princípio, que haverá
um encontro em Londres, nos próximos
dias, entre Gordon Brown, Tony Blair
e eu.
Esse
encontro nos permitirá avançar
mais na definição dos
grandes princípios. No fundo,
o que queremos? Um tratado simplificado
e não uma Constituição.
P.:
Sabendo que os Senhores compartilham
muitas abordagens conjuntas com a política
externa americana, a França estaria
pronta a levar em conta esse plano B,
como os Estados Unidos? Ou seja, reconhecer
a independência do Kosovo sem
uma resolução no Conselho
de Segurança? Os órgãos
oficiais em Prístina disseram-nos
que se essa proposta passar, será
uma traição. Como explicar
aos seus amigos do Kosovo que os Senhores
não pretendem trair, ao tomar
essa decisão?
R.:
Em primeiro lugar eu gostaria de dizer
que sim, existem muitos pontos em comum
entre as posições dos
Estados Unidos e da Europa. Isto não
é novidade, mas não me
impediu de apontar claramente dois desacordos,
um sobre o clima, que foi objeto de
uma discussão franca, algumas
vezes rude, outras amigável,
e outro sobre a globalização,
onde as discussões também
foram muito francas. Não vejo,
aliás, em nome de quê a
amizade impediria que se dissessem as
coisas, bem ao contrário.
Já
consegui dar destaque a várias
coisas, além da defesa de nossos
interesses. Eu não via a globalização
como um sistema sem regras; não
via a concorrência sem a lealdade;
não via a abertura dos mercados
sem reciprocidade e não via a
negociação –como
disse a Pascal Lamy- ou antes, via-a
sem ingenuidade.
No
que se refere à resolução,
acho que a França fez realmente
e continua fazendo o suficiente para
que se lhe seja dado o crédito
da sinceridade. Uma resolução
que fosse votada, ou mais exatamente
que fosse colocada e recebesse o veto
dos russos, levaria a uma situação
inextricável no Kosovo. Qual
seria então o estatuto jurídico
das forças que se encontram no
local? Eu gostaria que me explicassem.
Haveria
países na Europa que reconheceriam
a independência do Kosovo, outros
que a contestariam. Qual é o
estatuto jurídico neste momento,
visto que a nova resolução
não foi aprovada por causa do
veto russo, eventual, provável?
Qual é o estatuto jurídico
das tropas que se encontram no local?
O que teriam a ganhar os habitantes
do Kosovo? Eu gostaria que me explicassem
a situação.
Continuo
convencido de que devemos permanecer
unidos, de que a perspectiva é
a independência do Kosovo. Eu
o disse em termos extremamente francos
a Putin. A pergunta que me faço
é: será que não
temos realmente interesse em esperar
algumas semanas ou alguns meses para
encontrar uma solução
de consenso, ou queremos fazer passar
a resolução à força?
Acho que temos interesse em encontrar
uma solução de consenso.
Defendi
o princípio de uma independência
do Kosovo bem reconhecida e garantida.
Acredito realmente que esta é
a única posição
razoável. Cabe-nos fazer pressão,
tanto sobre os kosovares, que ajudamos
muito, quanto sobre os sérvios,
que devem compreender que, de qualquer
maneira, eles viverão lado a
lado. Trata-se de uma realidade geográfica.
Não
acredito que se tenha interesse em precipitar
as coisas. Agora, como os Srs. sabem,
o conselho da razão nem sempre
é seguido. Enfim, lamentei a
situação emaranhada na
qual o Kosovo se encontrará caso
se queira fazer passar a resolução
à força. Podemos contudo
simplesmente refletir a esse respeito,
iso não é absurdo, todos
conhecem os dados do problema.
Existem
milhares de soldados da ONU que trabalham
com um mandato, uma resolução.
O que acontecerá se houver uma
nova resolução que seja
objeto de um veto e se cada um de nós
começar a reconhecer a independência
do Kosovo, sem levar em conta o que
pensam os outros? Os Srs. acreditam
realmente que nesse momento estaremos
fazendo progredir a paz? Estaremos fazendo
progredir a guerra e os confrontos.
Peço que se reflita a respeito
disso, é tudo.
Meu
engajamento pela independência,
pela soberania do Kosovo é bem
conhecido, é inelutável.
Cheguei a dizer a Putin que a Iugoslávia
acabou. Quando ele diz que há
um risco, que outras regiões
pedem as mesmas condições,
eu lhe digo não. Cheguei até
a lhe dizer que Yalta tinha acabado.
Devemos fazê-lo agora, ou devemos
esperar seis meses? Podemos refletir
também, isto não é
absurdo. É o que me parece.
Reconheço
que a situação no local
é extremamente complicada. Mas,
a partir do momento em que Putin diz
que o mais provável é
que ele apresente um veto, eu digo que
é preciso, assim mesmo, refletir.
Não se trata de ceder à
ameaça, mas simplesmente de tentar
fazer com que convirjam as vontades
para que os confrontos, que seriam sangrentos
nessa parte dos Bálcãs,
não retornem. É isso que
eu penso e a palavra traição,
permitam-me dizer, para um país
que possui 2.000 homens no local, não
é correta, basta refletir.
Propus
seis meses com um princípio que
é o da independência para
que Prístina e Belgrado conversem.
Isto parece-me extremamente razoável.
Pode ser excessivamente ambicioso para
alguns, o que posso dizer? De toda forma,
o presidente russo deveria ver também
que existem realidades.
Desejo
a todos um bom regresso. Muito obrigado.
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