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Economia e Comércio Internacional

ENTREVISTA DO SECRETÁRIO DE ESTADO FRANCÊS
ENCARREGADO DAS EMPRESAS E DO COMÉRCIO EXTERIOR, HERVÉ NOVELLI,
PARA O JORNAL “FRANCE SOIR”

Paris, 10 de agosto de 2007


Pergunta: Com um déficit de 15,3 bilhões de euros no primeiro semestre, a França ainda é o mau aluno da zona do euro. Nossos vizinhos alemães, por sua vez, são os maiores exportadores mundiais. Como se explica essa defasagem?

Resposta: Quanto maior é uma empresa, mais ela exporta. Existe uma relação direta entre o tamanho e as exportações. A idéia, portanto, é fazer com que nossas empresas de porte médio, com mais de 50 empregados, cresçam. Existem, na Alemanha, duas vezes mais empresas de porte médio: são 4.000 empresas de menos de 250 empregados, contra apenas 2.000 na França. É realmente muito pouco. Precisamos aumentar esse número.

P.: Quantas empresas exportadoras possuímos na França?

R.: São, em média, 100 mil e apenas empresas de porte realmente grande. Esse número não aumenta há anos.

P.: Os empresário franceses são mais cautelosos que os alemães?

R.: Existem diferenças culturais e históricas... Mas fico espantado de ver que nossos jovens empresários têm uma grande capacidade e vontade de exportar. Devemos, portanto, ajudá-los. Pois outro fator importante para o desenvolvimento das exportações é a inovação. Quanto mais uma empresa inova, mais ela exporta. Daí a idéia de se acelerar o processo de inovação intensificando a pesquisa e o desenvolvimento.

P.: O euro forte é regularmente apontado como a causa da debilidade de nossas exportações. Durante a campanha presidencial, Nicolas Sarkozy havia, aliás, considerado isso uma deficiência considerável. O que o senhor acha disso?

R.: O nível do euro representa uma dificuldade para as exportações fora da zona do euro. A debilidade do dólar é, de fato, uma deficiência. Mas a Alemanha tem a mesma moeda que nós. O Presidente Sarkozy sabe que o euro não explica tudo. O preço do petróleo também pesa muito: ele foi multiplicado por cinco desde 2000. O plano “Força 5”, que apresentarei nas próximas semanas, terá portanto como objetivo melhorar a competitividade das empresas graças particularmente a um crédito imposto-pesquisa e meios capazes de responder ao imperativo de financiamento das empresas.

P.: Para desenvolver as exportações, é necessário viajar regularmente ao exterior?

R.: Com certeza. Pretendo aliás viajar muito e por muito tempo a países onde o crescimento é forte: China, Índia, Brasil, Rússia e Estados Unidos. Viajarei em companhia de uma grande delegação de pequenas e médias empresas. Nosso objetivo é tomar pé nesses países, pois é difícil ingressar em um mercado, é pesado, do ponto de vista financeiro. O Estado, com seus mecanismos de seguro, pode portanto ser um trampolim para esses empreendedores.

P.: Uma palavra sobre a “TVA social” [taxa de valor agregado]. Sua eventual instauração pelo governo encontra-se atualmente em estudo. Se as conclusões forem satisfatórias, esse mecanismo será colocado em prática imediatamente?

R.: Nós possuímos uma complexidade em matéria de custos salariais degradados, porque possuímos encargos que pesam sobre o trabalho. A proposta do governo é transferir esses encargos sociais para outros mecanismos, como a TVA.

Mas a questão é complicada: em 1995, o aumento de dois pontos da TVA foi nefasto para o crescimento econômico. Portanto, haveria primeiramente uma experimentação e isso seria feito por etapas. Ainda não chegamos a esse ponto.