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REUNIÃO
MINISTERIAL UNIÃO EUROPÉIA
– AMÉRICA LATINA
DISCURSO
DO SECRETÁRIO DE ESTADO FRANCÊS
PARA OS ASSUNTOS EUROPEUS, JEAN-PIERRE
JOUYET,
SOBRE A LUTA CONTRA AS DROGAS
Lima, 15 de maio de
2008
Senhor
Presidente,
Senhoras e Senhores Ministros e Caros
Colegas,
Senhoras e Senhores,
Estou
particularmente feliz por abordar com
os Senhores o futuro da questão
entre nossas respectivas regiões
na área da luta contra as drogas.
Trata-se de um desafio fundamental e
essencial para o aprofundamento de nossa
parceria estratégica, que exige
de nossa parte uma mobilização
sempre mais forte, pois o preço
a ser pago por nossas sociedades diante
desse flagelo é grande demais
para permanecermos inertes.
Constatamos
cada vez mais que o fenômeno não
cessa de se amplificar em nível
mundial:
- O consumo está se desenvolvendo
por toda parte, particularmente na União
Européia e na América
Latina. O tráfico vem ganhando
novas rotas, utilizando novos procedimentos,
ultrapassando novas barreiras. Agora,
os países de produção
e de trânsito não são
mais poupados do aumento de consumo.
- As redes criminosas, dotadas de um
arsenal de recursos financeiros consideráveis,
utilizam em seu benefício as
fraquezas de uma cooperação
internacional que tem dificuldade em
se desenvolver dos dois lados do Atlântico.
Essas redes enfraquecem as instituições
democráticas. Elas ameaçam
a estabilidade de nossas sociedades.
Elas alimentam a insegurança
e a violência, tanto na Europa
quanto no continente latino-americano.
Elas solapam os esforços que
empreendemos para lutar contra a pobreza,
as desigualdades e a exclusão.
Podemos
ver que a luta contra as drogas constitui
um desafio fundamental para nossos respectivos
continentes. Essa constatação
não poderá ser empreendida
senão por meio do reforço
de ações comuns entre
países produtores, de trânsito
e consumidores.
Eu
gostaria de apresentar aos Senhores
algumas orientações que
a França considera prioritárias
para darmos um novo impulso à
cooperação birregional
a respeito desse tema crucial:
Uma
ação eficaz deve ser baseada,
em primeiro lugar, numa estratégia
atualizada e em objetivos comuns. Nós
já dispomos de um documento-quadro
fundado no princípio de responsabilidade
compartilhada: o plano de ação
do Panamá. A revisão desse
plano deveria ter sido finalizada em
2006. Não podemos mais esperar
para nos dotarmos de uma estratégia
atualizada e ambiciosa.
Nossa
ação também deve
apoiar-se em estruturas adequadas. Existe
um instrumento: o mecanismo de coordenação
e cooperação UE-ALC sobre
as drogas. Lamento que esse foro essencial
não tenha ficado à altura
de nossas esperanças. Precisamos,
portanto, redobrar nossos esforços
para torná-lo eficaz e operacional.
A
essa estratégia e a esse instrumento,
é preciso acrescentar a importância
da cooperação operacional.
Isso pressupõe a multiplicação
das trocas de informações,
inclusive para lutarmos contra a lavagem
de dinheiro e pelo controle dos precursores
químicos. Em novembro próximo,
a França sediará na Martinica
a próxima reunião do grupo
UE-ALC, encarregado da divisão
da informação. Esperamos
que essa reunião traga resultados
tangíveis.
A
cooperação marítima
é uma outra grande prioridade
do plano de ação do Panamá.
O aumento constante do tráfico
marítimo comercial facilita,
de fato, o escoamento da droga, em particular
para a Europa. Estamos prontos atualmente
a disponibilizar os meios presentes
nos departamentos franceses das Américas
para participar dessa coordenação.
É desejável, por outro
lado, que todos os países envolvidos
adiram ao acordo de cooperação
marítima e aérea em matéria
de drogas, assinado em San José
no ano de 2003, um instrumento fundamental
para o reforço de nossa ação.
Devemos estabelecer um prazo para a
realização desse objetivo.
Por
fim, só obteremos resultados
tangíveis e duradouros oferecendo
alternativas viáveis às
famílias que vivem da economia
das drogas. Devemos, portanto, desenvolver
verdadeiras estratégias de desenvolvimento
alternativo. Essas estratégias
devem ter um impacto sobre a renda,
sistematizar o acesso à educação
e à saúde e permitir o
desenvolvimento das infra-estruturas
que faltam.
O
desenvolvimento alternativo, aliás,
só é digno de crédito
se fornecer verdadeiros mercados para
os produtos originários das culturas
alternativas. Ele deve mobilizar todos
os envolvidos: poderes públicos,
agentes sociais, operadores econômicos.
A França continuará apoiando
seus esforços nesse sentido,
assim como os empreendidos em mais de
trinta anos pelas agências especializadas
das Nações Unidas e particularmente
o Ofício das Nações
Unidas contra as Drogas e o Crime Organizado.
Senhor
Presidente, Caros Colegas, ainda resta
muito a ser feito. Nossos concidadãos
são as primeiras vítimas
de nossa falta de ação.
Eles esperam de nós resultados
concretos. Devemos redobrar nossos esforços
e adquirir os meios para atingir nossas
ambições. A instauração
de um mecanismo de alto nível
renovado é uma primeira etapa.
Devemos vencer essa etapa e responder
às expectativas de nossos povos
com nossa determinação.
Muito obrigado por sua atenção.
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