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ENTREVISTA
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA,
NICOLAS SARKOZY, PARA O JORNAL “LE
FIGARO”
Paris, 6 de março
de 2008
Pergunta: Que
iniciativa o Senhor pretende tomar a
respeito de Ingrid Betancourt?
Resposta:
Em nove meses, não parei de tomar
iniciativas. Durante cinco anos, o caso
Betancourt não avançou
um só centímetro. Desde
que estou no Elysée, nós
temos a prova de que Ingrid, de quem
não tínhamos notícias,
está viva. Por outro lado, seis
reféns foram libertados. Estou
tomando uma outra iniciativa hoje, dirigindo-me
ao Canal RCN, o primeiro canal privado
colombiano. Quero dizer às FARCs:
“Continuem com a estratégia
de libertação humanitária,
não cometam o irreparável,
Ingrid está em perigo de morte.”
P.:
O Senhor pretende ir à Colômbia
rapidamente?
R.:
Se for necessário, eu irei. Existe
um pequeno número de pessoas
sobre as quais repousa o destino e,
especialmente, o Sr. Marulanda, chefe
das FARCs. Cabe a ele saber a imagem
que quer passar ao mundo inteiro: ser
visto como um assassino, ou como alguém
que tenha a coragem de fazer um gesto
humanitário.
P.:
Foram muito comentadas suas discordâncias
com a chanceler alemã, Angela
Merkel. O Senhor virou essa página?
R.:
Em nove meses, nós fizemos duas
coisas muito importantes. Nós
unimos nossas forças para fazer
com que o Tratado Europeu Simplificado
saísse do limbo e encontramos
uma nova governança para a EADS
[European Aeronautic Defense and Space
Company]. Na segunda-feira, em Hanover,
nós chegamos a um compromisso
a respeito da União Mediterrânea.
É fundamental criarmos a União
Mediterrânea, para que a margem
norte e a margem sul construam pólos
de estabilidade. Estamos trabalhando
de mãos dadas.
P.:
A que acordo os Senhores chegaram a
respeito desse assunto?
R.:
Angela queria que todos os países
europeus pudessem participar da União
no âmbito do processo de Barcelona.
E eu achava que esse processo, criado
em 1995, já havia soçobrado
e que precisávamos criar uma
verdadeira parceria com os países
do Sul. Concordamos então em
que fosse criada a União Mediterrânea.
Todos os países-membros da União
Européia e todos os países
das margens do Mediterrâneo poderão
tomar parte dela.
A
União para o Mediterrâneo
será co-presidida por um presidente
da margem do norte e um presidente da
margem do sul. Uma estrutura de direção,
leve e operacional, dará corpo
a essa parceria. Só poderão
presidi-la os países que margearem
o Mediterrâneo. Haverá
uma reunião dos Chefes de Estado
e de Governo a cada dois anos e as decisões
serão tomadas em conjunto. Todos
os países-membros da União
poderão participar desse processo.
Em 13 de julho, em Paris, haverá
uma reunião de cúpula
dos países europeus e dos países
do Mediterrâneo.
P.:
O bom entendimento franco-alemão
continua sendo então o motor
da União Européia?
R.:
Quando
o general de Gaulle e Konrad Adenauer
entravam em acordo, toda a Europa concordava.
De uma certa maneira, quando Valéry
Giscard d’Estaing e Helmut Schmidt
entravam em acordo, toda a Europa acompanhava.
Mas não estamos mais nessa Europa.
A França e a Alemanha continuam
tendo que se colocar de acordo, mas
em diálogo com todos os parceiros.
Quando Angela e eu entramos em acordo
a respeito do Tratado Simplificado,
isso era necessário, mas não
suficiente. Durante os seis meses da
presidência francesa da União
Européia, além do entendimento
franco-alemão, tenho a intenção
de trabalhar estreitamente com todos
os países-membros e todas as
instituições européias.
Meu objetivo não é fazer
disso um sucesso apenas para a França,
mas para toda a Europa.
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