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ENTREVISTA
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES
E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER,
PARA “EUROPE 1”
Paris, 20 de dezembro
de 2007
Pergunta: O Senhor
tem informações a respeito
dos desdobramentos na Colômbia?
Resposta:
Não tenho informações
suplementares. Acho que precisamos ser
prudentes, mas nós temos realmente
a impressão de que alguma coisa
foi desbloqueada e agradeço-lhe
por participar disso. Essa jornada pela
libertação de Ingrid Betancourt
é uma ótima iniciativa.
P.:
Por parte do presidente Uribe, por enquanto
há a recusa de se estabelecer
uma zona desmilitarizada. O que poderia
acontecer, pois trata-se, apesar de
tudo, de uma proposta francesa?
R.:
Sim, trata-se de uma proposta
francesa, mas essa proposta já
havia sido feita pela Suíça.
Os Senhores sabem que a Suíça,
a Espanha e a França tinham uma
posição comum, esforços
foram feitos em comum. Isso foi recusado
pelas FARCs, porque não vinha
da França, vinha diretamente
do presidente Uribe. Acho que não
se deve desesperar, as coisas podem
evoluir assim mesmo de maneira favorável.
A
zona de encontro foi recusada, talvez
haja outras. Existe esperança.
Trata-se, sobretudo, de fazer passar
essa mensagem a todos os reféns
e particularmente a Ingrid; trata-se
de lhe dizer que não perca sua
formidável capacidade de resistência
e que a solidariedade francesa, internacional
e agora latino-americana mostra-se incrivelmente
evolutiva, no bom sentido do termo.
É preciso que ela esteja conosco,
como estamos com ela. Ela não
deve se deixar levar, ela não
parece ser assim. Acho que logo estaremos
chegando ao final.
P.:
O Senhor sabe onde Clara Rojas poderia
ser libertada?
R.:
Não, por enquanto não
sei. Acho que a maneira como felicitaram
o presidente Chavez por sua iniciativa
faz com que os contatos entre o presidente
Chavez e as FARCs devam estar se realizando
neste momento, com vistas a informar
aos venezuelanos em que zona essa libertação
poderia ser realizada.
P.:
Nesta manhã, em nossa emissora,
François Fillon falou da possível
acolhida a um certo número de
guerrilheiros das FARCs, prisioneiros
na Colômbia, por decisão
do regime de Uribe. Com que status eles
chegarão à França?
Onde serão recebidos?
R.:
Não sei de nada, por enquanto
não há negociação
a esse respeito. Nós simplesmente
dissemos, o Primeiro-Ministro repetiu
isso esta manhã, que estamos
dispostos a todos os gestos humanitários,
que estamos dispostos a todas as intercessões,
que estamos dispostos a dar provas de
boa-vontade em todos os casos, para
que sejam libertados Ingrid Betancourt
e os outros prisioneiros.
P.:
O presidente americano Georges Bush,
que, apesar de tudo, tem um papel essencial
como apoio econômico e militar
para com a Colômbia, poderia ter
um papel determinante nessa questão?
O presidente Sarkozy e o Senhor tiveram
contato com seus órgãos
administrativos?
R.:
Claro, e recebemos há
pouco tempo, o presidente da República
e eu, a Srª Condoleezza Rice. Falamos
a esse respeito, eles acompanham nossos
esforços e é certo que
os americanos podem ter um papel, pois
sua influência sobre o presidente
colombiano é grande. Não
devemos esquecer também que eles
têm três reféns,
cujas imagens vimos ao mesmo tempo em
que as terríveis imagens de Ingrid
Betancourt.
P.:
Para as FARCs, perdoe-me essa assustadora
expressão, Ingrid Betancourt
é uma espécie de tesouro
de guerra. Que interesse eles teriam
em libertá-la?
R.:
Seu interesse é o de transformar
sua imagem. Por enquanto, e há
muito tempo, sua imagem é a de
guerrilheiros ultrapassados pelo tempo,
mais para passadistas e que queriam
tomar o poder por meio das armas. Isto
não está mais em moda
na América Latina, continente
que se tornou democrático na
maior parte dos casos e na maior parte
dos países.
Acho
que eles compreendem que conservar assim
centenas de prisioneiros, centenas de
reféns não melhora sua
imagem, e que ela se transformaria se
dessem provas de generosidade e humanismo.
Foi
o que a França quis explicar
por intermédio das mensagens
que foram passadas e ouvidas pelos reféns,
e muito certamente pelos guerrilheiros,
em particular Marulanda. É preciso
que eles participem de um jogo político
e foi, aliás, da mesma maneira
que o presidente Chavez os fez compreender.
Foi por isso que consideramos importante
e que defendemos a iniciativa do presidente
Chavez.
P.:
Está prevista uma partida sua
para a Colômbia, para, talvez,
desempenhar um papel de mediador, antes
do Natal?
R.:
Não, nada está previsto,
salvo a minha disponibilidade e a do
presidente da República e, repito,
se puder ter algum papel, se a França
puder ajudar – e o presidente
já fez muito -, estou inteiramente
disponível e pronto a me dirigir
à Colômbia. Mas, no estágio
atual, nada está previsto.
P.:
Em sua mensagem, o presidente francês
evocou a possibilidade de libertar Ingrid
Betancourt, ou, pelo menos, seu desejo
era vê-la libertada antes do Natal.
Com as informações das
últimas horas, isso lhe parece
credível?
R.:
Isso me
parece necessário, indispensável
e, espero, credível. Mas, francamente,
se eu tivesse algo de novo, eu diria.
Todos nós esperamos e a França,
em todos seus componentes políticos,
está voltada para esse objetivo
e para essa libertação
tão esperada. Mais uma vez, a
mensagem deve ser endereçada
a Ingrid: que ela resista, nós
estamos do seu lado.
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